O
governo francês, conhecendo a grande qualidade de educadora
de Ana Maria e suas Irmãs, assim como a sua paixão
pelos jovens e doentes, sempre pronta a promover a dignidade do
homem numa sociedade que carecia de justiça, pede-lhe para
fundar casas da Congregação nas colónias francesas.
Assim em 1817 as Irmãs instalam-se na Ilha da Reunião
no Oceano Índico, para a educação da juventude
da ilha.
Seguem-se outras fundações a ritmo acelerado, ao mesmo
tempo que as vocações afluem. De 1822 a 1824, Ana
Maria permanece em terras de África - Senegal, Gambia e Serra
Leoa - pelas quais nutre um carinho que não a deixará
mais e onde se debate pela promoção humana e cristã
das populações e, particularmente, pela condição
das mulheres. Durante dois anos, dá testemunho do seu zelo
e dedicação pela instrução e educação
dos negros, ensinando-lhes o amor ao trabalho. Mulher de horizontes
largos, preocupou-se também com a criação e
formação de um clero autóctone.
De
regresso a França, em 1824, são-lhe confiadas novas
missões nas colónias, concretamente nas Antilhas.
A partir de 1828, Ana Maria Javouhey embarca para a Guyana. Aí
constrói, organiza, cuida dos doentes, ensina… Ela
passa 12 anos da sua vida, dos 49 aos 64 anos (de 1828/33 e de 1835/43),
numa doação incondicional, colocando todos os dotes
de uma excelente organizadora, ao serviço da promoção
e desenvolvimento da pessoa dos escravos. Abre Escolas e Hospitais.
Inicia as plantações e a criação de
gado, desenvolve as várias formas de artesanato. A Plantação
de Maná, encontrada em estado lastimável, conhece
no espaço de 15 dias, graças à Fundadora, uma
renovação magnífica, uma verdadeira cooperativa
agrícola. Ninguém é esquecido: nem escravos,
nem leprosos, que podem gozar de uma existência mais humana.
libertação dos escravos
Mas
a sua obra, a mais corajosa em período colonial, foi sem
dúvida a sua acção de vanguarda pela libertação
dos escravos. Apesar de receber o reconhecimento do rei Luís
Filipe, que a saudou como o “Grande Homem”, e lhe deu
a alegria de assistir no dia 12 de Maio de 1838 à primeira
libertação de 185 escravos, aos quais ela tem a delicadeza
de oferecer os primeiros sapatos, sinal da sua emancipação…
Ana Maria teria de pagar caro esta atitude de coragem e de uma mulher
de futuro, apaixonada pelo Evangelho e sempre à escuta da
Vontade de Deus: hostilidades, terríveis calúnias,
falta de apoio, mesmo da parte do clero, e atentados à sua
vida, tudo a faz sofrer mas nunca recuar…
Em 1843, regressa a França onde continua a fundar casas,
a formar as Irmãs, a dirigir a Congregação
e a fazer todas as diligências para que a Congregação
passe de um estatuto diocesano ao reconhecimento pelo Papa, o que
apenas ocorre 3 anos após a sua morte. Sempre anima espiritualmente
as suas Irmãs de Congregação, dispersas pela
várias casas de França e do Ultramar, mediante um
conselho, uma palavra de encorajamento, uma prece, um ensinamento,
uma palavra de afecto, de reconhecimento e de sabedoria… recordando
sempre que é a obra de Deus que realizamos. As suas muitas
cartas são o registo desse coração maternal.
Quando faleceu, na Casa – Mãe, em Paris, a 15 de Julho
de 1851, com a idade de 71 anos, deixou 1200 Irmãs ao serviço
de Deus e da Humanidade.